O ombro dói ao levantar o braço e ao deitar sobre ele, e o laudo do ultrassom diz "bursite". O que isso quer dizer?
Dr. Alan Arruda Aragão · MÉDICO: CRM-CE 11.152 · Ortopedista e Traumatologista: RQE 6590A bursite é a inflamação de uma bolsa que protege os tendões. Quase sempre ela é consequência de um problema no tendão.
Muita gente sem dor nenhuma tem "bursite" no ultrassom. O laudo precisa ser lido junto com o exame do ombro.
Exercício orientado e tempo resolvem a maioria dos casos em até 3 meses. Infiltração alivia por algumas semanas.
Há muita dúvida sobre o que é a bursite. Ela não é uma doença: é a expressão, a manifestação de diversos problemas do ombro.
A bursite é a inflamação de uma bolsa que recobre os tendões do ombro. Qualquer problema nesses tendões, como calcificações, rasgos ou problemas no tendão do bíceps, pode inflamar a bolsa. Ela é, basicamente, uma consequência dessas lesões.
A bolsa (bursa) funciona como uma almofada entre os tendões do manguito e o osso de cima do ombro, o acrômio, e deixa os tendões deslizarem quando o braço se move. A dor que nasce ali vem principalmente de um problema nos tendões do manguito, a tendinite ou tendinopatia.
Você também pode ouvir os nomes "síndrome do impacto" ou "dor subacromial". Falam do mesmo quadro.
Dor ao dormir sobre o ombro, no esporte e ao movimentar o braço acima da cabeça.
Braço inteiro inchado, vermelhidão com febre ou dor depois de uma queda não são o quadro típico. Precisam de avaliação logo.
O mais importante é encontrar a causa que está por trás, pelo exame físico e pelos exames de imagem. Quando se trata só a bursite e não se olha a lesão que a provocou, o tratamento costuma falhar.
Num estudo com homens de 40 a 70 anos sem dor nenhuma, o ultrassom mostrou a bolsa espessada em 78 de cada 100. Por isso o laudo, sozinho, não fecha o diagnóstico: ele se junta ao exame do ombro.
Fisioterapia orientada, remédio e infiltração quando indicada. A maioria dos casos começa por aqui.
Exercício é o tratamento principal. Ele reduz a dor e melhora o movimento nas primeiras semanas e meses. Num estudo com 708 pessoas, uma boa orientação com exercícios para fazer em casa rendeu o mesmo que até 6 sessões de fisioterapia.
Os exercícios que prescrevo são para melhorar a mobilidade do ombro, corrigir a postura e fortalecer o manguito rotador e os estabilizadores da escápula.
Repouso total não ajuda. O ombro melhora em movimento, dentro do limite da dor.
Infiltração de corticoide alivia a dor por cerca de 8 semanas. Depois de 6 meses, quem infiltrou e quem não infiltrou estavam iguais. Repetir várias vezes não soma benefício.
Evito infiltrar quando o tendão pode precisar de reparo nos meses seguintes.
Infiltrar perto da cirurgia aumenta o risco de complicação.
Na bursite, não uso ácido hialurônico, PRP, ondas de choque nem bloqueio.
Na bursite e na tendinite, sem ruptura do tendão, a cirurgia de "raspar" o osso de cima do ombro (acromioplastia ou descompressão) foi testada contra uma cirurgia simulada, em que o paciente achava que tinha sido operado. Em três grandes estudos, um deles com 10 anos de acompanhamento, ela não foi melhor.
Por isso, quando a dor não melhora com um tratamento bem feito, eu reviso o diagnóstico e procuro a lesão que está por trás. Se houver uma ruptura ou uma calcificação, a decisão segue essa lesão.
É muito rara a necessidade de cirurgia para bursite isolada. Geralmente, ela acontece quando há lesão dos tendões do manguito rotador.
Na bursite isolada, a cirurgia só entra depois de pelo menos 6 meses de tratamento, numa decisão conversada.
A maioria das pessoas melhora em até 3 meses. Quem tem dor mais forte ou há mais tempo costuma demorar mais.
Fazer os exercícios em casa, com regularidade, conta muito para o resultado.
Não é preciso esperar um prazo: se o tratamento falhar, volte ao médico.
Depois da infiltração, a dor pode piorar por 1 ou 2 dias, e a glicose de quem tem diabetes pode subir por alguns dias. Infecção é muito rara.
Nos estudos, cerca de 1 em cada 5 pessoas teve algum efeito leve depois da infiltração. Nenhum evento grave foi relatado.
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Sim, na maioria das pessoas: o quadro melhora em até 3 meses com exercício e orientação. Tratar a causa, quase sempre o tendão, evita que volte.
Em geral de algumas semanas a 3 meses. Se o tratamento falhar, volte ao médico para rever o diagnóstico.
Alivia a dor por cerca de 8 semanas e ajuda a fazer os exercícios. Não muda o resultado depois de 6 meses, e repetir várias vezes não soma benefício.
O exercício é a base, e boa parte dele se faz em casa. Remédio e, às vezes, infiltração ajudam a controlar a dor no começo.
Nem sempre. A bursite costuma acompanhar um problema do tendão, que pode ser só desgaste ou, às vezes, uma ruptura. O exame do ombro diz qual é o seu caso.
Deitar sobre o ombro comprime a bolsa e o tendão. Dormir de barriga para cima ou do lado bom, com um travesseiro apoiando o braço, costuma aliviar.
A dor vem da bolsa, do tendão ou de outra coisa? O que no meu laudo explica a dor, e o que é comum na minha idade? Que exercícios faço em casa, e quando volto se não melhorar?
Texto revisado por Dr. Alan Arruda Aragão, MÉDICO: CRM-CE 11.152, RQE 6590 · revisão: 13/10/2026 · Conteúdo informativo. Não substitui consulta, exame e avaliação individual.