O ombro dói, pior à noite, e a cada semana alcança menos: pentear o cabelo, pôr o sutiã, pegar um copo no armário alto.
Dr. Alan Arruda Aragão · MÉDICO: CRM-CE 11.152 · Ortopedista e Traumatologista: RQE 6590Uma inflamação global do ombro, mas especialmente da cápsula articular. A cápsula engrossa e encolhe, e o ombro dói e perde movimento.
Sim. Remédio, infiltração e alongamento resolvem a maior parte dos casos. Procedimento é para a minoria.
Costuma melhorar entre 1 e 3 anos. O tratamento serve para encurtar esse caminho e aliviar a dor.
A capsulite é uma inflamação global do ombro, mas especialmente do conjunto de ligamentos que envolve a articulação, a cápsula articular. No começo ela inflama e dói. Depois endurece e encolhe, e o ombro perde movimento.
Na capsulite, a cápsula fica mais grossa e apertada, e se formam faixas de tecido dentro dela. Por isso o ombro trava tanto quando você tenta mexer sozinho quanto quando outra pessoa tenta mexer por você.
O nome "congelado" vem da rigidez. Não tem relação com frio.
A inflamação pode atingir também a bursa e os tendões ao redor.
É mais comum entre os 40 e os 65 anos, e mais em mulheres do que em homens.
Diabetes é o fator mais forte. Até 30% dos diabéticos vão desenvolver capsulite.
Tireoide. Problemas de tireoide também aumentam a chance. Dois estudos brasileiros mostraram isso.
Depois de cirurgia no tórax ou na mama, como no tratamento do câncer de mama, e depois de um período com o braço imobilizado.
Em alguns casos aparece depois no outro ombro: de 6 a 17 em cada 100 pessoas, em até 5 anos. No mesmo ombro, voltar é raro.
O tempo de cada fase varia muito de pessoa para pessoa.
Primeiro vem a dor. Com o tempo, junto com a dor, o ombro vai perdendo movimento. Por fim a inflamação passa e fica a rigidez.
Dor constante no lado de fora do ombro, pior à noite e ao mexer. Dormir sobre o ombro fica difícil. Dura de 6 semanas a 9 meses.
A dor diminui, mas o ombro trava. Pentear o cabelo, pôr o sutiã, pegar a carteira no bolso de trás, vestir a camisa. Dura de 4 a 6 meses.
O movimento volta aos poucos. Pode levar de 6 meses a 2 anos.
Somando tudo, o quadro pode durar de 1 a 3 anos. É muito tempo para ficar sem dormir direito e sem conseguir usar o braço, e é por isso que vale tratar.
O ombro precisa ser examinado por alguém experiente. No exame eu vejo como o ombro se move, sozinho e com a minha ajuda.
O diagnóstico é clínico, e os exames de imagem podem ajudar a excluir outras condições e confirmar o diagnóstico.
Muitas vezes o exame de imagem mostra só uma bursite, e a capsulite passa despercebida. Por isso o exame do ombro vem antes do laudo.
Na primeira fase, quando há muita inflamação, o paciente se beneficia de remédio para a dor e da infiltração. Na fase da rigidez entram os alongamentos e a fisioterapia.
Infiltração na articulação. É um tratamento válido para a capsulite adesiva, encurtando a fase inflamatória ou de dor. É o tratamento com melhor resultado nos primeiros meses, principalmente quando feito cedo e junto com exercício em casa. Num estudo, 77 em cada 100 pessoas se disseram melhores com a infiltração na 7ª semana, contra 46 em cada 100 só com fisioterapia. Depois de 6 meses, os dois grupos ficaram parecidos.
Se você tem diabetes, a glicose pode subir por alguns dias depois da infiltração. Vale medir com mais atenção nessa semana e avisar o seu médico.
Bloqueio do nervo. Em alguns casos, além da infiltração, é necessário o bloqueio dos nervos sensitivos do ombro, como o nervo supraescapular.
Hidrodilatação. Não é recomendada, por ter resultados erráticos.
Alongamento e fisioterapia. Ajudam a recuperar o movimento, junto com o tratamento da dor. Alongar costuma incomodar: o limite é uma dor suportável, que passa logo depois.
Uma sequência curta de autoalongamento, feita várias vezes ao dia.
Uso uma sequência de autoalongamento criada pelo Dr. Jean-Pierre Liotard, do Centre Orthopédique Santy, em Lyon, onde estagiei. As fases são a forma como organizo o protocolo para os meus pacientes.
São 3 fases, realizadas 5 vezes ao dia, a cada 2 ou 3 horas. São 5 repetições cada vez que fizer, alongando por 5 segundos.
A cada 2 ou 3 horas.
Não mais, não menos.
Segure no limite que você alcança, sem forçar além.
Sentado, com os dedos entrelaçados. Na fase 1, as mãos saem do colo, vão ao topo da cabeça e depois para o alto. Na fase 2, as mãos vão para a nuca, os cotovelos se abrem para trás, e depois as mãos sobem. A força está na mão: é ela que leva o braço.
A fase 1 é para quando a inflamação já passou. A fase 2 só começa quando a fase 1 estiver fácil. Respeite o seu limite de dor.
O protocolo sozinho não vai reabilitar o seu ombro. Faça só com o acordo do seu médico ou do seu fisioterapeuta.
Uma pequena minoria precisa de um procedimento: a manipulação do ombro sob anestesia ou a artroscopia, para liberar as aderências da cápsula.
Manipulação: com o paciente anestesiado, eu movimento o ombro para soltar a cápsula. Artroscopia: por pequenos cortes, com uma câmera, eu corto a parte da cápsula que encolheu. As duas costumam ser seguidas de fisioterapia.
Os dois lados: num estudo grande no Reino Unido, com 503 pessoas, operar não deu resultado melhor do que fisioterapia com infiltração depois de 1 ano. Os três caminhos chegaram a um resultado parecido.
A manipulação ou a liberação artroscópica são realizadas em caso de falha do tratamento conservador (fisioterapia), sobretudo quando há sequela de rigidez.
Penso em procedimento quando a dor e a rigidez continuam depois de alguns meses de tratamento bem feito, habitualmente após 6 meses de falha do tratamento conservador. Faço opção pelas técnicas a depender da gravidade.
A infiltração pode deixar o ombro dolorido por um ou dois dias e subir a glicose de quem tem diabetes.
Na maioria das pessoas, sim, ou quase. Num estudo que acompanhou 223 pacientes por cerca de 4 anos, 59 em cada 100 ficaram com o ombro normal ou quase normal. Os outros ficaram com algum sintoma, quase sempre leve, como uma dor de vez em quando. Cerca de 6 em cada 100 ficaram com sintoma forte.
Quem começa com mais dor costuma demorar mais. Por isso não vale esperar a doença passar sozinha sem cuidar da dor e do movimento.
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Na maioria das pessoas o ombro volta a funcionar bem, em 1 a 3 anos. Parte fica com uma dor ou limitação leve. O tratamento serve para aliviar a dor e encurtar esse tempo.
Em geral de 1 a 3 anos, somando as três fases. A fase da dor costuma ser a mais difícil.
É um tratamento válido para a capsulite adesiva, encurtando a fase inflamatória ou de dor. Funciona melhor nos primeiros meses e no começo da doença, junto com exercício em casa. O número de infiltrações depende do seu caso.
Porque, depois de 1 ano, quem operou não ficou melhor do que quem fez fisioterapia com infiltração, e a cirurgia tem mais risco. Ela fica para quem não melhora com o tratamento.
Gosto de utilizar o Protocolo de Lyon, método bem estabelecido há mais de 40 anos na França, sendo método seguro e eficaz, descrito acima, com o acordo do seu médico ou fisioterapeuta. A fase certa depende de como está o seu ombro.
Deitar de barriga para cima ou do lado bom, com um travesseiro apoiando o braço doente, costuma aliviar. Se a dor não deixa dormir, essa é a hora de tratar a inflamação.
Pode, em uma minoria: de 6 a 17 em cada 100 pessoas, em até 5 anos.
A capsulite é mais comum em mulheres na faixa dos 40 aos 65 anos, mas uma relação direta com a menopausa ainda não foi comprovada.
Em que fase está o meu ombro? A infiltração vale para mim agora? Quais alongamentos posso fazer, e até que dor? Em quanto tempo devo ver melhora, e o que fazemos se não melhorar?
Texto revisado por Dr. Alan Arruda Aragão, MÉDICO: CRM-CE 11.152, RQE 6590 · revisão: 13/10/2026 · Conteúdo informativo. Não substitui consulta, exame e avaliação individual.