Dói para levantar o braço, dói à noite deitado sobre o ombro, e o laudo diz "ruptura". Precisa operar?
Dr. Alan Arruda Aragão · MÉDICO: CRM-CE 11.152 · Ortopedista e Traumatologista: RQE 6590Um dos quatro tendões que seguram e movem o ombro se rompe, quase sempre por desgaste, às vezes numa queda.
Nem sempre. Muita gente melhora com fisioterapia. Na lesão completa em pessoa ativa, a cirurgia geralmente tem melhor resultado.
Artroscopia, por pequenos cortes. O tendão é preso de volta ao osso com pequenas âncoras. A recuperação leva alguns meses.
O manguito rotador é o conjunto de quatro tendões que recobrem a cabeça do úmero e ajudam na movimentação do ombro. Com a idade, eles vão sofrendo desgaste. O mais atingido é o tendão supraespinal.
A ruptura pode ser parcial, quando compromete só parte da espessura do tendão, ou transfixante, quando atravessa o tendão de lado a lado. Transfixante não quer dizer que todos os tendões romperam, mas que a espessura da lesão foi completa em determinado tendão.
A maioria vem do desgaste lento. Outras vêm de uma queda sobre o braço esticado ou ao fazer esforço excessivo com o braço.
Um tendão que rompeu completamente geralmente não cicatriza sozinho. Mesmo assim, muita gente fica bem, porque os outros músculos do ombro podem compensar a falta do tendão comprometido.





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O supraespinal passa entre o acrômio e a cabeça do úmero e se prende no osso.
O tendão se solta do osso e se recolhe. Um tendão que rompeu completamente geralmente não cicatriza sozinho.
A cirurgia é feita por artroscopia, com uma câmera, por cortes de meio a 1 centímetro.
Eu limpo (debrido) o local do osso, coloco pequenas âncoras no osso, e o tendão é puxado de volta e preso a elas.
O tendão volta ao lugar, preso pelas âncoras. A cicatrização no osso leva alguns meses.
Imagem ilustrativa
É mais comum depois dos 50 anos. Determinadas atividades profissionais e esportivas, além de tabagismo, diabetes e até obesidade, aumentam o risco de lesão.
Muita gente tem alteração no manguito sem sentir nada. Num estudo finlandês com ressonância dos dois ombros, 99 em cada 100 pessoas de 41 a 76 anos tinham alguma alteração, inclusive em 96 de cada 100 ombros sem dor.
Por isso, o laudo de exame sozinho não decide o tratamento. A experiência médica ajuda a separar alterações irrelevantes daquelas que necessitam de tratamento.
Pelo exame físico do ombro e, quando preciso, por ultrassom e ressonância.
A ressonância também mostra se o tendão encolheu para longe do osso (retração) e se o músculo perdeu volume ou ganhou gordura. Isso ajuda a saber se o tendão ainda pode ser reparado.
Nem toda lesão precisa de cirurgia. Cada paciente tem suas necessidades e particularidades, e o tratamento é decidido caso a caso.
Lesões parciais ou lesões completas bem iniciais podem inicialmente ser tratadas conservadoramente, desde que o paciente seja acompanhado de perto. A falha do tratamento conservador após 3 a 6 meses pode indicar a necessidade do tratamento cirúrgico.
O tratamento conservador combina fisioterapia para fortalecer os outros músculos do ombro, remédio para a dor e, em alguns casos, infiltração articular. A infiltração nos casos de tendão do manguito rotador já rompido tem que ser feita com moderação, em paciente com quadro de dor muito importante, e pode ser utilizada como paliativo.
O outro lado: a ruptura pode aumentar com os anos. Num ensaio norueguês, as rupturas tratadas só com fisioterapia dobraram de tamanho em 15 anos, e o reparo deu resultado melhor em rupturas de até 3 cm. Por isso vale acompanhar com o médico, mesmo sem operar.
Tratamento sem cirurgia sempre que possível, e uma cirurgia bem indicada quando ele não resolve.
A lesão do manguito, quando completa, em pessoas ativas, geralmente tem melhor resultado com tratamento cirúrgico, porém pode haver espaço também para tratamento conservador.
Quando a ruptura veio de uma queda, a avaliação deve ser feita cedo. Operar nas primeiras semanas dá ao tendão mais chance de ser reparado.
Lesões do manguito rotador ocasionadas após queda (rupturas traumáticas) necessitam habitualmente de tratamento cirúrgico com mais brevidade, com melhores resultados quando a cirurgia é realizada dentro do primeiro mês da queda.
A cirurgia é feita por artroscopia, com uma câmera, por cortes de meio a 1 centímetro. Eu limpo (debrido) o local do osso onde o tendão vai ser preso, coloco pequenas âncoras no osso, e o tendão é puxado de volta e preso a elas.
Pode-se optar por técnicas de reparo em fileira simples ou em fileira dupla, a depender do padrão e do tamanho da lesão e da qualidade dos tendões. Se houver doença do bíceps, ele pode ser contemplado no tratamento, habitualmente com tenotomia ou tenodese.
A acromioplastia (raspagem do osso acima do manguito) é controversa e é avaliada no intraoperatório, quando há notório impacto desta estrutura no manguito, ou para facilitar o acesso aos tendões.
O principal objetivo da cirurgia é aliviar a dor e recobrar a força do ombro do paciente.
A cirurgia do manguito rotador habitualmente é realizada com anestesia dupla: o bloqueio do plexo braquial e a anestesia geral.
Na maioria dos casos, o paciente pode retornar para casa no mesmo dia do procedimento, com um bloqueio anestésico que controla a dor das primeiras horas.
Artroscopia do manguito pela Unimed e particular, em Fortaleza. Opero no Hospital Regional Unimed e no Hospital São Camilo. Atendo Unimed e particular, e a equipe confere a cobertura do seu plano.
Quando o tendão não pode mais ser reparado, ainda há alternativas: reparo parcial, transferência de um tendão vizinho, prótese reversa em casos escolhidos ou tratamento conservador sem cirurgia, como infiltrações e bloqueio neurológico.
Quando o paciente demora a procurar tratamento, as lesões podem ser tamanhas, e a qualidade dos tendões, péssima, a ponto de a cirurgia não mais beneficiar o paciente. Ainda pode haver vantagem em cirurgia de reparo parcial, infiltrações, procedimentos de neuromodulação (bloqueio neurológico) e, finalmente, artroplastia total reversa do ombro (prótese reversa do ombro). As opções de tratamento em lesões irreparáveis são conduzidas com o paciente, de acordo com sua motivação e seu grau de atividade, bem como com o grau dos seus sintomas.
O prazo de cada etapa depende do tamanho da ruptura e da qualidade do tendão.
Desde o primeiro dia, o braço fica na tipoia, inclusive para dormir, mas punho, mão e cotovelo se mexem: pelo menos 3 vezes ao dia, gosto que os pacientes exercitem o cotovelo, com o ombro parado. No banho, o braço fica pendente, sem movimento ativo.
No pós-operatório do reparo do manguito rotador, o uso da tipoia é fundamental para o sucesso da cirurgia. O tempo varia de 3 a 6 semanas, e durante este período alguns exercícios podem ser feitos em casa e na fisioterapia, conforme orientação estrita do médico assistente. Lesões mais graves precisam de maior tempo em tipoia e de retorno mais cauteloso ao fortalecimento e à atividade física.
Tipoia. Movimento só passivo, com o fisioterapeuta.
Sai a tipoia. O movimento ativo assistido volta aos poucos.
Fortalecimento.
A maioria já tem movimento e força para a vida diária. Esporte e trabalho pesado, por etapas.
Dormir com a cabeceira elevada ou numa poltrona reclinável ajuda nas primeiras semanas. O braço roxo é esperado e melhora em 1 a 2 semanas.
Compressas mornas no pós-operatório aliviam a dor e as tensões musculares e podem ser utilizadas. O uso de crioterapia (gelo) é controverso, e, na minha prática médica, prefiro evitar, para que não haja cronificação da dor.
Dor não é o mesmo que dano. A cirurgia conserta a estrutura do ombro; a sua participação na reabilitação constrói o resultado.
O tendão pode romper de novo: cerca de 2 em cada 10 reparos mostram nova ruptura no exame. O risco cresce com a idade, de cerca de 15 em 100 aos 50 anos para mais de 30 em 100 aos 70. Nem toda nova ruptura volta a doer.
Rigidez do ombro depois da cirurgia acontece em cerca de 6 em cada 100 pessoas.
Infecção que exige nova cirurgia é rara: cerca de 1 em cada 500 reparos. Complicação clínica séria, como pneumonia ou trombose, em cerca de 1 em cada 80 artroscopias de ombro.
Procure o seu médico se tiver febre, secreção na ferida, vermelhidão que aumenta, dor que não cede com o remédio, mão fria ou dormente, falta de ar ou dor no peito.
Dor no ombro que não melhora com remédio nem com fisioterapia.
Dor no ombro que passa de algumas semanas ou de um mês sem melhora, ou dor no ombro após queda, deve ligar o alerta para procurar o especialista.
Quando as lesões do manguito rotador são tratadas desde o início, o resultado do tratamento tem alto índice de sucesso na melhora da dor e da funcionalidade do paciente.
Uno Medical Center, Av. Pontes Vieira, 2340, sala 410, Dionísio Torres. Unimed e particular (com recibo para reembolso).
Rua José Sombra, 65. Só Unimed, com agendamento pelo app Unimed Fortaleza.
Av. Oliveira Paiva, 2849. Só Unimed, com agendamento pelo app Unimed Fortaleza.
Nem sempre. Nas rupturas por desgaste, muita gente melhora com fisioterapia. A lesão do manguito, quando completa, em pessoas ativas, geralmente tem melhor resultado com tratamento cirúrgico, porém pode haver espaço também para tratamento conservador. Lesões parciais ou completas bem iniciais podem ser tratadas sem cirurgia, desde que o paciente seja acompanhado de perto. A cirurgia entra quando esse tratamento falha após 3 a 6 meses, e mais cedo nas rupturas por queda.
Pode aumentar com os anos, mas a maioria não aumenta muito em poucos anos. Por isso vale acompanhar, mesmo sem operar.
Nem sempre. Muitas pessoas têm alteração no manguito sem dor nenhuma. O exame do ombro diz se a ruptura explica a sua dor.
De barriga para cima ou do lado bom, com um travesseiro apoiando o braço, ou com a cabeceira mais alta. Se a dor não deixa dormir, é hora de avaliação.
O tempo de tipoia varia de 3 a 6 semanas, e lesões mais graves precisam de maior tempo em tipoia. Dirigir e voltar ao trabalho dependem do tamanho da ruptura e são combinados na consulta.
Dor nas primeiras semanas é esperada, e costuma ser maior nas rupturas grandes. Dor que não cede com o remédio, febre ou secreção pedem contato com o seu médico.
Opero pela Unimed e pelos outros planos que atendo, e a equipe confere a cobertura do seu plano na consulta.
Minha ruptura é parcial ou transfixante? Veio do desgaste ou da queda? Quanto tempo faz sentido tentar sem cirurgia? Se operar, qual a chance de romper de novo no meu caso, e quando volto a dirigir e a trabalhar?
Texto revisado por Dr. Alan Arruda Aragão, MÉDICO: CRM-CE 11.152, RQE 6590 · revisão: 13/10/2026 · Conteúdo informativo. Não substitui consulta, exame e avaliação individual.